quinta-feira, 24 de maio de 2012

Todo mundo quer ser canção.


Com inspiração daquele verbo, palavra jogada,
Que é carne porque a língua diz,
Que é som porque na alma vibra,
Que é imã porque me atrai,
Fez-se aquele espirito, coração,

Que toca no mesmo ritmo.
Que toca sozinho.

Assim não há música,
Apenas uma percussão desafinada.

Vem tocar comigo?
É preciso aprender música nova,
É preciso entrar no ritmo.

E sobre a pele não há acompanhamento certo.
Se te olho e sinto saudades,
É porque aprendi a ser canção com você.

domingo, 6 de maio de 2012

Expurgo: Uma parte de dois poemas que era um.

Entre as constantes e as variáveis,
Entre as dificuldades das escolhas e os erros dos sentimentos.

Entre todas as opções,
Entre cada entrada e saída.
Entre cada sentido, lento e quase imutável,
Fico com uma saudade involuntária,
Que te pega desprevenido,
Que te segue na cama,
Que te acompanha no sono,
Que não vai embora no sonho.


Saudade é um senhora velha, chata, seca e inconveniente:
Nunca sabe quando não deve nunca mais voltar.

Entre os conceitos matemáticos,
Entre o bater do coração e as ciências exatas.
Entre os entrelaçamentos quânticos e as forças eletromagnéticas.
Fico na esperança de quebrar as leis da física
E conseguir esquecer a atração de seus olhos, lábios e cabelos.

Entre todas as tentativas,

Entre todas as tendencias,
Fico com aquela 

Que  deixam escrever
um poema.

Entre todas as ideias
Fico com aquelas que é possivel reciclar.

terça-feira, 17 de abril de 2012

O destino de Carlos


Eu tinha certeza que estava destinado a algo grande, a algo que apenas eu poderia fazer, a algo que... Desculpem-me, destinado não, pois não acredito nessa bobagem de destino. Eu tinha certeza que faria algo grande pelo qual seria reconhecido, pelo qual seria imortal.
Inventei certas engenhocas, é verdade, algumas de utilidades, outras, por mais interessantes que fossem, geraram polêmica, claro, a culpa não era minha e sim de seus usuários. Ah! Vocês deviam ver, era fantástico, um gravador de sonhos. Imaginem só, poder ver o sonho que teve durante a noite na tela do computador feito filme? Mas algumas pessoas reclamaram, pediram o dinheiro de volta, disseram que era invasão da única privacidade que lhe restavam e mais vários outros argumentos que não cabem aqui. Mas por que usaram se queriam privacidade? Não tenho culpa se eles sonham com a vizinha ou com a cunhada ou que estão matando seus professores. Infelizmente o governo confiscou todos os gravadores de sonhos do mercado e me proibiu de desenvolver projetos similares, não tem importância.
Deixa-me voltar na história que quero contar. Sabendo que estava destinado. Não, destinado não, quem foi que inventou esse troço de destinado? Sabendo que eu faria algo grande em minha vida e muito curioso para saber o que era (sim, sou ansioso, não pude me conter) resolvi desenvolver uma maneira de viajar no tempo e descobrir logo o que eu faria (ou farei, estou confuso). Estudei as possibilidades e consequências. Consegui, depois de cinco anos, desenvolver minha “máquina”.
Eram três lentes, que colocadas uma em frente à outra, formando um triângulo, poderia transportar qualquer coisa para qualquer momento do tempo. Porém, minha grande dúvida era, em que momento do futuro deveria ir para saber se já tinha criado algo grande. Não era inteligente usar a “máquina” muitas vezes, pois havia consequências, minhas moléculas desfaziam e se refaziam e em cada viagem meu corpo ficaria mais fraco. Programei minha invenção para ir 30 anos no futuro, acho que era suficiente. Fui.
Quando cheguei em 2041, a primeira coisa que vi na TV foi: “Governo declara que a culpa dos roubos históricos é do cientista...” Minha culpa? O que eu inventei que fui culpado por roubos? Meu laboratório estava fechado. Algumas inscrições em sua porta: “maluco”,“ladrão”,“louco” e alguns palavrões. Bom, descobri, lendo alguns jornais, que em 2038 fiquei famoso por ter aperfeiçoado um invento que fiz há 27 anos. Sim, a “máquina”. Porém em 2040 um grupo secreto invadiu o laboratório e a levou e desde então estão usando-a para fazer furtos de objetos do passado. Começaram com pequenos roubos. O pino de ouro de uma estrada de ferro, um dos chapéus do Chaplin, entre coisas que as pessoas apenas pensavam que havia perdido. Depois ficaram mais ousados e roubaram quadros, alguns pergaminhos da biblioteca de Alexandria antes dela pegar fogo, o primeiro relógio de pulso de Santos Dumont e o cavalo Branco de Napoleão. Parece que ele ficou deprimido, cabisbaixo, não gritava tanto. Arrumaram outro cavalo parecido, mas não teve jeito, Napoleão ficou muito triste. Há boatos que foi por isso que ele perdeu a batalha em Waterloo.
Houve consequências físicas. Os jornais também diziam que algumas estruturas do universo foram enfraquecidas no instante que fiz a viagem e as grandes forças foram comprometidas. As chuvas, às vezes, eram acompanhadas de uma enorme descarga eletromagnética, estragavam equipamentos e derrubavam aviões o que causavam muitas mortes. Os terremotos, furacões e maremotos aconteciam com mais frequência. Em alguns lugares da Terra a gravidade alterara sua força o que infelizmente também matou várias pessoas, ou por ser fraca ou muito forte. Esses locais foram demarcados como área de risco. O governo falava que a qualquer momento poderia surgir novos lugares com instabilidade gravitacional.
Como não previ isto? Estudei cada detalhe e consequência. Diante desses fatos, tive a certeza, seria imortal por criar a máquina do tempo, mas seria imortal por ser odiado e não amado e reconhecido por todos. Resolvi voltar e me impedir criar a máquina.  Mas, não consegui, alguma coisa estava errada.
Passei a noite no laboratório tentando resolver o problema, fiz e refiz os cálculos, estavam certos, mas por que a máquina não funcionava? Estava fraco, minhas mãos tremiam, e não conseguia raciocinar mais. Dormi.
Na manhã seguinte a tremedeira continuava. Comecei a ficar desesperado e tive apenas uma decisão depois disto: ir onde meu eu futuro estava preso e falar com ele, ou comigo.
Descobri que apenas com horário marcado é que se podia visitar um detento. Marquei para o dia seguinte. Eu estava horrível, cabelos longos e barba por fazer, os olhos muitos tristes e a tremedeira na mão muito forte.
— Esperei muito por isso – ele disse.
— O que?
— Este momento aqui, em que você vinha falar comigo, descobri muitas coisas depois que conversamos a primeira vez.
— Já aconteceu antes?
— Já, mas era eu aí e um outro nosso aqui.
— Quantas vezes isso já aconteceu?
-- Não sei.
-- Que estranho, achei que fosse a primeira.
— Não. Quanto pesa agora?
— Uns 70 quilos.
— Então. O corpo de um homem de 70 kg tem, aproximadamente, 7x10^27 átomos e seu corpo, nosso corpo perde um pouco de átomos à cada viagem, por isso, as tremedeiras - Sempre fui assim, dando informações exatas, vejo que não perderei alguns hábitos- Mas você veio perguntar por que não esta conseguindo voltar, não é? 
— Sim, não consegui fazê-la funcionar.
— Claro que não, no laboratório é uma zona neutra, nada funciona ali e a máquina precisa de muita energia para poder funcionar, você tem que levá-la para fora do laboratório, para um descampado próximo ao lago. Aí ela vai funcionar.
— Ótimo, agora é só voltar e impedir que criemos a máquina.
-— Não idiota, já tentei isso, e a máquina sempre é construída. O que você deve fazer é voltar no exato momento em que veio para cá e impedir que nossa outra versão entre na máquina.
— E o que acontecerá depois?  
— Não sei, iremos desaparecer, talvez.
Despedi-me e saí. Tinha muito o que fazer, levar a máquina para o descampado, voltar e me impedir de entrar nela.
Agora ela funcionava, programei o destino e entrei.
Em 2011, deparei com meu outro eu olhando para nossa obra, as lentes em triângulo esperando o destino. Meu outro eu olhou assustado, coitado, não sabia o que tinha acontecido.
— Olá, Carlos. Eu disse - Vim de 2041 e as coisas lá estão desastrosas.
Olhou diretamente para minha mão que tremia. Eu continuei:
— Isso só vai piorar, cada vez que usar a máquina alguns átomos serão perdidos. É preciso que você não entre nela, é melhor que você a destrua. Terremotos, tempestades eletromagnéticas e muitas outras catástrofes, apenas pela simples atitude de ter usado a máquina.
— A gente ficou famoso? - Estranho como ignorei tudo o que falava.
— Sim, mas não como queríamos, seremos odiados.
— Mas eu quero ver o que acontece também.
— Mas aquele futuro só existe porque entrei na máquina, então você não verá o futuro que é seu e sim um alterado.
Meu outro eu me olhou com certo escárnio, disse com ironia:
— Depois eu volto e evito a gente de construir a máquina. É melhor.
Antes que eu pudesse argumentar melhor, contar que já havia tentado isso, ele entrou na máquina e sumiu.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Veni, vidi, perdidit

E lá vieram os portugueses em missão
E aqui viram a Cultura e não gostaram.
Derrubaram estatuas, derrubaram os corpos
mataram seus deuses e lhe venderam outro,
uma estatua loira de braços abertos no meio da clareira:
- Por que seu deus esta sangrando - disse o nativo.
- por que ele morreu para nos salvar - responde o português.
- E quem o matou?
- Fomos nós
- Por que?
- Este sacrificio veio para nós salvar
- Salvar de quê?
- Do inferno
- O que é isso?
- É um lugar horrivel que vão os pecadores, para queimar eternamente
- O que é um pecador?
- Pessoas que desrespeitam Deus
- Interessante, Nós temos um inferno aqui também, mas só queimamos frutas e animais, mas já que o Senhor insiste. Vamos leva-lo para a pedra do sacrificio e queima-lo no que ele chama de inferno
- Calma, por que vocês fariam isso?
- Estamos segundo seus ensinamentos, quem desrespeita Deus queima no inferno.

sábado, 7 de abril de 2012

Amor tempos de personificação


Eu não romantizo o Amor. Personalizo-o
O torno mais humano para senti-lo
Amar  não é mais verbo.
É sujeito e assim devemos trata-lo.

O Amor e Eu, o Amor eTu.
O Amor e nós?
Uma possibilidade para neologismos:
“Euamo, vocêama, Teamo”

Hum! Acho que agora virou verbo.
E se Teamar é verbo
Só existe se for entre “nós”

terça-feira, 27 de março de 2012

I e II


I

Qualquer pessoa que não se modifique durante sua vida, não é, por isso mesmo, a mesma pessoa do começo de sua existência, senão uma cópia falsa da atitudes, ideias e pensamentos da sua primeira existência.

É preciso se modificar para permanecer o mesmo.


II

Não há sentido em estar vivo, nunca houve e nunca haverá.Somos, possivelmente, um acidente quântico e estar vivo é só mais um dos acasos da vida. Podem vir com uma lista de objetivos, de possibilidades, de Amores e vontades, podem dizer que a vida é um dom e maravilhosa (essa ultima é verdade é bom estar vivo, mesmo sem motivos). Podem vir os mais otimistas e me falar de Deus, de Alla, de krishna, falar da Bíblia, do Alcorão ou do Mahabharata, infelizmente os argumentos serão vão, não me convencerei de um sentido, por mais bela que seja essas mitologias. Me desculpem os que creem, mas para mim o conforto divino não afaga. Me angustia estar vivo sem motivos. Porém uma vez que estou vivo, ou pelo menos acho que estou, quero me manter assim. Já que eternidade não é uma escolha, faço o possível para chegar aos 80 ou 100 com dignidade e morrer depois de um século, quem sabe dois, depois de muito aproveitar a vida.