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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Ao meu lado.

Encontrei perdido em algo bolso de um passado rasgado, alguns de meus poemas antigos. São lamentações de um jovem que acabava de iniciar sua vida literária lendo textos do Romantismo, três partes de uma Lira dos vinte anos, de um poeta triste, idade que eu me aproximava. Ao olhar aquelas linhas me senti voltando no momento em que as escrevia, olhava o garoto que almejava ser poeta. 


Notei o quanto eu falava sobre rosas, vento, vinho, o amor e a morte. Afinal é um ciclo e seus símbolos. Influência da idade, talvez. Vinte anos incompletos, começando a minha Lira. Ver aquele jovem ignorando semânticas, verbos e predicados, usando todo o potencial de seu ego criativo e pedante, do qual a origem, era um número muito reduzido de livro que havia lido, escrevendo suas linhas tortas em papel usado com uma velha caneta vermelha, me fez rir um riso cúmplice, de um amigo do futuro que sabe: seja um poeta de seu hoje, deixe o amanhã para mim. Quero chegar daqui a vinte anos, olhar para esse tempo e rir com o mesmo riso que tive hoje.

sábado, 21 de junho de 2014

Dobrar o tempo, ver na esquina.

Duas folhas brancas, livres em minha cabeça.
(Sempre esqueço, não sei desenhar).
Uma caneta amarela em meus dedos.
E os contornos de meus olhos desenham a luz da Lua.
Errei o tom, saiu desafinada.
(Sempre esqueço, não sei compor).
Em uma esquina encontrei comigo.
Cabelos lisos, lentes grossas.
Criança.
Rabiscava, batia em lata.
“o que é isso?” perguntei.
(memória fraca, sempre esqueço)
“Uma nave. Estou viajando no tempo”
E Batia, batia, batia.
“Pronto, cheguei no futuro”
Sorri. Abri minha cabeça.
Meu cérebro escapou, voou.
Olhei para o céu.
“Olha, ás vezes é bom deixar voar” Me disse
Tirei as folhas,
Uma em branco, outra com luz da Lua.
Junto, a caneta amarela.
“desenhe aqui o que não posso esquecer”
Desenhou a Lua desafinada,
Desenhou um poema
Desenhou meu rosto.
Voltou para sua máquina
(eu me lembrei daquele dia)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Havia prometido a mim mesmo que iria diminuir essa minha mania de fazer uma "autobiografia comentada" sobre minhas andanças e desejos, que isso podia causar, ou está causando, certo desconforto em algumas pessoas que gosto. Não faço isso por estima supervalorizada ou exibicionismo, muitas vezes é o oposto.
Porém gostaria de compartilhar uma decisão que tive ao ler Garcia Márquez falando sobre sua paixão pela escrita. Vou me dedicar a isso. Serei escritor. Não me importa o Grau.

É verdade, tem que se ter amor pela escrita e agradecer as dificuldades, são as pedras que pulamos que deixa nossas pernas mais fortes.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

2002

Hoje faz onze anos que escrevi meu primeiro poema. Quando comecei, usava palavras com cheiro e sabores: “Rosas”, “vinho”. Falei da Lua, rimei com rua e até uma estrada nua. Era um poema sobre um primeiro e um último beijo de baixo de folhas de Laranjeiras:

“Lá estava ela, na rua.
Estrada nua
Com brilho da Lua
Beijei rosas
Chorei vinho”. 

Não sei o quanto eu “Evolui” nesses onze anos. Mas hoje continuo fazendo meu autorretrato com palavras, pois é a tinta que eu sei usar. Em toda poesia que escrevo tem algo de mim, óbvio, já que escrever, até mesmo para os mais reservados, é uma entrega, não absoluta, do que sentimos, queremos e somos, mesmo quando nem queremos ser ou notamos isso. Não sou um bom pintor de palavras, uso frequentemente a perspectiva errada. Meus traços, por vezes, se repetem.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Uma impressão momentânea


Ás vezes, talvez mais, eu me sinto como se tivesse dois corações:
Um que vibra, mandando ao meu corpo uma música que não sei reproduzir em canção. Respiração de conteúdo codificada. O sangue inspira os dedos que arrancam do sonho um trecho de um Amor, que para existir até quando pode vira impressão de que existe.
O Outro, monotom-tumtumtum, mesmo pessimista, que me avisa: “está vivo até quando pode” faz parte da percussão desta minha anatomia musical. Música que me permite escrever, já que não sei tocar. Ou talvez seja apenas uma impressão que tenho. Escrever para ter a sensação de que existo. “Enquanto posso”

terça-feira, 21 de maio de 2013

Um pouco sobre mim (para se quem interessa) em tópicos




• Sou Filipe Dias, disso tenho certeza. Nasci em uma sexta-feira, dia vinte e três de dezembro de mil novecentos e oitenta e dois, em alguém lugar do bairro da Lapa, ás 15 horas e 15 minutos. Deste então, por destino astrológico, não por escolha, sou capricorniano. Por destino geográfico sou paulista, sou brasileiro, também por não por escolha (não que eu lamente).
Ser poeta, ator e sonhador são apenas complemento, não definições. 
Gosto do me ver como a folha em branco e pensar que sou eu o possuidor da caneta que escreve minha vida. Com linhas tortas ou apenas rascunhos, vou criando meus sonhos e desejos.

• Em determinado momento você pode notar que eu falo coisas em ocasiões de total silêncio ou que não estão de acordo com o assunto em questão. Explico: O que ocorre é que, com muito mais frequência que eu possa controlar, faço ligações de ideias em minha mente, mas acabo soltando apenas o resultado final, exemplo: gosto da epopeia de Gilgamesh. Por que falei disso? Simples, escrever sobre “ligação de ideias” me fez lembrar a primeira vez em que notei esse detalhe em mim. Em uma roda de conversa em que falávamos sobre Highlander eu soltei exatamente o exemplo acima: “eu gosto da epopeia de Gilgamesh.” Mas até eu explicar que Gilgamesh é um personagem das religiões mesopotâmicas e que buscava a imortalidade, meus companheiros de bar já haviam determinado que eu era “corta assunto.” Tinha acabado de ler sobre o tema. Note: Highlander que lembra imortal, que lembra imortalidade, que lembrou Gilgamesh 
que buscava imortalidade que é o que o Highlander tem. Simples, não?

• Às vezes e com muita frequência tenho a tendência de colocar duas opiniões paralelas em uma mesma frase. Elas se contradizem, sempre, mas isso é por que eu gosto de um paradoxo. Ainda não sou perfeito na conclusão dos contrários, mas chego lá.

• Não acredito em Divindade, não é nada pessoal, podem ficar tranquilos, não creio em nenhuma divindade de nenhuma religião e muito menos em seus “anjos caídos”

PS: Conforme vou me conhecendo irei postando mais